Conversando com Elba Ravane

About Me

Nasceu em Sertânia onde partcipou do movimento estudantil e foi presidente do Gremio Estdantil da Escola Amaro Lafayette, atualmente milita do movimento Mudança (tendencia do ME) faz Direito na ASCES-FADICA, onde já foi monitora de Sociologoa Geral, Sociologia Juridica e Ciência Politica, foi estagiária do Ministerio Público e atualmente é do Tribunal de Justiça de Pernambuco, cursa o 8º Periodo e participa do Grupo de Pesquisa e extensão que discute a democratização do poder judiciário, já escreveu 3 artigos cientificos entre outros, dois publicados na Revista Discente da Faculdade de Direito de Caruaru, apresentou arigos cientificos no Congresso de Direito em 2007 e 2008 , e no SPBC.
Home | Profile | Archives | Friends

Democracia e Segurança Pública: problemas e desafios no Estado de PE - 02:46, 25/9/2008

 

Artigo escrito, aprovado e apresentado durante o XI Congresso de Direito da ASCES por Elba Ravane Alves Amorim[1]

sob a orientação do Msc. em Ciência Política Edmilson Maciel Jr 

RESUMO

 

Democracia e Direitos Humanos como temáticas estruturadoras de uma proposta de programa de Segurança Pública que possa contribuir com a redução da violência em Pernambuco e com a missão constitucional de assegurar Segurança a todos os cidadãos, zelando pelos direitos fundamentais e garantindo a consolidação do Estado Democrático de Direito previstos na Constituição Federal de 1988.

 

 

1.      INTRODUÇÃO:

 

“Tem saída, sim. É perfeitamente possível

conter a violência, salvar vida, proteger

o patrimônio, reduzir desigualdades no acesso a justiça,

exorcizar o medo, controlar a criminalidade

 e oferecer a todos uma segunda chance.”[3]

 

Frente aos problemas decorrentes de um sistema de Segurança Pública falido, procuraremos analisar a partir de estudos bibliográficos possíveis soluções para a mudança do atual sistema de segurança.

Atualmente os planos de segurança público são estruturados sob a ótica seletiva, segregacionista, excludente e repressora, o que não se harmoniza com a os direitos assegurados na Constituição Federal de 1988.

A situação no Brasil é caótica, e em Pernambuco não é diferente, chegamos ao ponto onde o Estado é um dos principais agentes ativos da violência. Algumas manchetes dos jornais, exemplificam, apesar de não simbolizar,a problemática que envolve esse setor, vejamos algumas: “Morre menino metralhado em ação policial no Rio[4]  ; “Exército entrega jovens no RJ na mão de facções rivais e jovens são mortos.”[5];“Família acusa PMs de matarem menor em PE[6]; a situação não poderia ser pior, as instituição encarregadas na CF/88 de assegurar a todos o Direito Fundamental à Segurança, tornou-se em nosso país as principais violadores desse direito.

Acreditar que o endurecimento das leis relacionadas com a Segurança Pública é uma saída não parece ser a solução, inicialmente se necessita analisar o problema como algo decorrente das manifestações sociocultural vigentes em nossa sociedade, também é crucial estabelecermos a diferença entre Segurança Pública e Segurança Nacional e analisarmos qual dessas tem de fato prevalecido em nosso meio, independentemente da acepção atualmente adotada.

Por fim, analisaremos a importância do envolvimento da sociedade com as instituições públicas encarregadas pela Carta Magna de zelar pelo direito à segurança.

Neste trabalho procuraremos mostrar que os problemas da segurança pública precisam ser solucionados para que de fato tenhamos a sociedade democrática e o Estado de Direito previsto na CF/88, em contrapartida, para que a questão da Segurança seja solucionado; democratizar a rede que a compõe pode ser uma solução. No entanto para que isso ocorra, o cidadão precisa participar de um projeto de segurança pública que atenda os anseios de toda a coletividade e o Estado precisa estar preparado para escutar verdadeiramente os cidadãos.

 

2.      VIOLÊNCIA E SEGURANÇA PÚBLICA NO ESTADO DE PERNAMBUCO: PROBLEMAS E DESAFIOS

 

Dados indicam que no intervalo de 10 anos (entre 1996 e 2006), aproximadamente 42 mil pernambucanos foram assassinados. [7]

Os 10 municípios de Pernambuco que apresentam o maior número de homicídio doloso entre 2000 e 2004 foram: Recife, Jaboatão, Olinda, Paulista, Caruaru, Cabo de Santo Agostinho, Petrolina, Vitória de Santo Antão, Camaragibe e Garanhuns, nesse período esses municípios foram responsáveis por quase 60% das mortes no estado. Esses municípios têm mais de 100 mil habitantes, o que nos leva a constatar que a criminalidade se agrava nos grandes centros urbanos, tal fato deve ser levado em consideração na elaboração de políticas públicas de Segurança, isso ocorre porque nesses centros urbanos o isolamento das camadas sociais são ainda mais latentes e os programas sociais não conseguem atender a grande demandada.[8]

No ano de 2004 a maioria das vítimas mortas por agressão é do sexo masculino e são jovens entre 20 e 29 anos (41% do total) e 30 à 39 anos (21%) e de 15 à 19 anos (19%) .[9]

Segundo dados da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) em 2005 as mortes violentas se concentraram nos finais de semana, 51% das mortes letais intencionais ocorreram entre a sexta-feira e a madrugada da segunda. Ressalte-se que é também durante os finais de semana que a prostituição cresce e esse cenário também é lamentável, pois atinge crianças que são exploradas, nas praias, nas ruas, nas periferias ou nos bairros nobres, nos grandes centros e principalmente no interior.[10]

Segundo os dados divulgados no Programa Pacto pela Vida do estado de Pernambuco, os crimes sexuais e os crimes envolvendo drogas, se comportam de forma mais insidiosa nos municípios do interior.

No agreste, Caruaru e Garanhuns são as principais cidades que registram maior número de ocorrência (25 casos envolvendo drogas por cada 100 mil habitantes) e 8, 9 crimes sexuais por cada 100 mil habitantes, nesse último Garanhuns apresenta situação mais problemática. Petrolina  apresenta 17, 4 casos a cada 100 mil habitantes, isso devido a sua proximidade do polígono da maconha e 6 para cada 100 mil habitantes de crimes sexuais.[11]

Apesar de compartilhamos da idéia da SDS-PE de que entre as causas de aumento da violência em Pernambuco se inclui: Fraqueza das instituições estatais nas regiões de maior vulnerabilidade social; elevado grau de desorganização social urbano; modernização da atividade econômica, inclusive as ilegais, criando novas possibilidades para expansão do mercado das drogas ilícitas; observância de padrões rurais de honra e valorização da masculinidade e da virilidade na resolução privada de conflitos, alta disponibilidade de armas de fogo sem controle; incapacidade de formulação e execução de políticas de segurança publica eficientes, transversais e integradas, acreditamos que há ainda outros fatores que agravam o problema no Brasil e também em Pernambuco.

A versão final do Plano Estadual de Segurança Pública (PESP-PE 2007), resultou de reuniões do Fórum Estadual de Segurança Pública, ocorridas em março e abril de 2007, o plano é o resultado objetivo e o Fórum, atividade subjetiva, ambos estão vinculados ao PACTO PELA VIDA e talvez seja um primeiro passo rumo a democratização do setor.

Teoricamente o Pacto Pela Vida é o conjunto de ações e esforços, coordenadas pelo Governador de Pernambuco, com o objetivo fundamental de reduzir a violência, com ênfase na diminuição dos crimes contra a vida. No entanto há crimes como a prostituição infanto-juvenil e o tráfico de crianças, que passam despercebidos pelos governantes, porém, viola a dignidade da pessoa humana e o exercício do direito a vida, tanto quando o homicídio, pois, segrega o sujeito a uma sub-vida. 

O Governo de Pernambuco entende por crime contra a vida, o homicídio, deixando assim, de priorizar o resolução de problemas que envolve os crimes acima descritos o que é uma erro, pois, assim o programa fica com uma grande lacuna.

O programa Pacto Pela Vida tem como fundamento a concepção que as ações de segurança pública deve basear-se nos seguintes valores[12]: 

a) Articulação entre Segurança Pública e Direitos Humanos, em que a garantia do direito à vida é a principal meta;

b) Compatibilização da qualificação da dimensão repressiva e coercitiva - baseada na incorporação de inteligência, informação, tecnologia e gestão - com uma forte ênfase sobre os aspectos de prevenção social e específica da criminalidade violenta;

c) Transversalidade e integralidade das ações de segurança pública, a serem executadas por todas as secretarias de Estado de forma não fragmentada;

d) Incorporação, em todos os níveis de execução das Políticas Públicas de Segurança, de mecanismos de gestão, monitoramento e avaliação;

e) Participação e controle social desde a formulação das estratégias até a execução das ações de segurança pública.

O Fórum constituiu-se em atividade de grande relevância social, pois, espera-se que tenha sido uma nova etapa das políticas públicas no Estado de Pernambuco, para que a partir daí, a Segurança dos cidadãos de Pernambuco deixem de ser algo discutível apenas entre policiais e governantes, mas diferentes setores da sociedade passem a discutir o assunto e a intervir diretamente nas ações.

Durante o Fórum houve debates articulado entre especialistas, acadêmicos, militantes de organizações do Plano Estadual de Segurança Pública de Pernambuco, destes 14 sociedade civil com atuação em setores específicos da área de segurança pública e gestores públicos dos níveis federal, estadual e municipal, o que é de suma importância, pois permite que o governo saiba o que as organizações civis compreendem como solução para o problema de violência e ainda há através da participação dos gestores municipais, um mapeamento da realidade social de cada município, compondo de fato o cenário estadual. Programas traçados sem levar em consideração as peculiaridades de cada unidade municipal, generalizaria o problema e não traçaria soluções capazes de responder as demandadas.

As linhas de atuação tidas segundo o programa como estruturadoras, são as seguintes[13]:

1) REPRESSÃO QUALIFICADA;

2) APERFEIÇOAMENTO INSTITUCIONAL;

3) INFORMAÇÃO E GESTÃO DO CONHECIMENTO;

4)FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO;

5) PREVENÇÃO SOCIAL DO CRIME E DA VIOLÊNCIA;

6) GESTÃO DEMOCRÁTICA.

A atualização do Plano de Segurança Pública de Pernambuco ocorrerá na I Conferência Estadual de Segurança Pública, em outubro do ano de 2008 e deverá ser precedida pelas Conferências Municipais e Regionais que já começaram a acontecer, no Município de Sertânia (Sertão de Pernambuco) a Conferência não contou com a participação do Promotor de Justiça daquele município Maurílio e nem da Juíza Daniela. A não participação dos dois órgãos supramencionados é de extrema prejudicialidade, pois é neste momento que ocorrerá o aprofundamento da integração entre Estado e Municípios, a incorporação das respostas específicas e regionalizadas à diversidade de contextos locais de produção da violência dentro do território pernambucano, além do detalhamento da especificação e do aperfeiçoamento das ações e dos projetos estabelecidos inicialmente. O ministério público é o responsável pelo controle externo da atividade policial, de modo que é necessário a sua compreensão, participação e colaboração no plano para que haja uma melhor fiscalização das ações práticas de execução do plano.

A META ESTRUTURANTE do Plano Estadual de Segurança Pública é construir um conjunto de ações SISTÊMICAS de curto, médio e longo prazo, que, definindo e monitorando responsabilidades, buscando interromper o crescimento da violência em Pernambuco.

O plano estadual de Segurança Pública, deve levar em consideração a má  distribuição populacional do Estado. A unidade federativa tem aproximadamente 100.000 km2 e possui uma população de quase 8 milhões de pessoas. Destes, 42% se concentra na Região Metropolitana do Recife, cujo espaço é inferior a 3% do seu território. O agreste é a mesorregião que apresenta o quadro de ocupação territorial mais equilibrado abrigando 25% da população de Pernambuco em 25% do território (81, 7 hab./km2). A unidade federativa é composta por 185 municípios, a maioria com menos de 20 mil habitantes, 76,5 % dos domicílios se concentram no meio urbano, segundo o censo de 2000, na RMR esse número sobe para 96,9%, no Sertão e Agreste setentrional e meridional  situa-se entre 44% e 63%., na Zona da Mata e Agreste Central 69%.[14]

A violência no estado tem interferido na expectativa de vida da população, constata-se um aumento progressivo nessa expectativa de vida, em 1995 era de 62 anos de idade, em 2004 era de 67,1. Esse aumento não foi maior devido ao aumento das mortes violentas envolvendo a população jovem adulta, entre 10 e 39 anos, cujas mortes por agressão constituem a primeira causa de mortalidade, entre os jovens de 15 a 19 anos as agressões intencionais respondem a 55% da causa morte, entre 20 e 29 anos por 51%.[15]

As desigualdades sociais são ainda alarmantes quando verificamos o fator renda, em 2003 40,6%  das famílias em PE e 30% das famílias da RMR estavam abaixo da linha de pobreza, com renda inferior a meio salário mínimo per capita.[16]

57 % dos pobres eram negros ou pardos, 69 % dos domicílios em 2004 não possuíam saneamento básico, a taxa de alfabetização  com idade igual ou superior a 10 anos foi de 88,8% na RMR e 68,3% em PE no ano de 2000, a situação mais alarmante se concentra no Agreste e no Sertão do Araripe e Moxotó, que registram percentual de alfabetização inferior a 70%.[17]

Para reverter esse quadro poderia ser composta uma rede pelas Secretarias Estaduais de Segurança Pública, Juventude, Educação, Emprego, Mulher, Agricultura, Saúde, Cultura e Esporte. Pelas Polícias Civis, Militares, Federais e Rodoviárias.  Pelo Conselho Tutelar, Ministério Público, Juízes e Defensores Públicos.Se cada órgão desse desenvolvesse alguma atividade relacionada com a necessidade de efetivar o Direito à Segurança, poderia haver um mudança significativa no atual cenário pernambucano.

Assim, o Projeto Pedagógico das Escolas Estudais, inicialmente deveria ser formulado de tal forma que as escolas desenvolvessem durante os finais de semana a partir da sexta a noite até a segunda pela manhã, atividades interativas que valorizassem as manifestações juvenis, isso, poderia contribuir para que os jovens deixassem de freqüentar locais de risco.

Nas 10 cidades mais violentas do Estado de Pernambuco, todas as escolas estudais deveriam permanecer abertas durante os finais de semana. Para diminuir os custos a própria juventude , juntamente com os policiais deveriam desenvolver as atividades.

A secretária de emprego do Estado de Pernambuco deveria estimular a economia local, focalizando os esforços na criação de pequenas cooperativas, pois, além de gerar renda, impediria a migração para os grandes centros urbanos , que como vimos, ao crescer desorganizados tendem a apresentar os maiores índices de violência.

A secretaria da mulher deveria mapear as mulheres em situação de risco e estimular a inclusão dessas no mercado de trabalho, pois, muitas mulheres no estado, deixam de denunciar as agressões devido as submissão econômica da família ao o homem. Além de fortalecer a discussão sobre a igualdade entre os gêneros e assegurar delegacias da mulher nos municípios mais violentos.

Como vimos os padrões rurais da honra e da valorização da masculinidade na resolução de conflitos são causas de violência no Estado de Pernambuco, assim, a secretaria de agricultura e sindicatos rurais que são quem estão mais próximo da comunidade do campo, devem dar sua cota de participação e discutir com comunidade rural a necessidade do uso da não violência, além de estimular o dialogo entre homens e mulheres, esse segmento, não podem se preocupar apenas com produção rural, embora essa seja importante, porém, é preciso ir além e cuidar da segurança do homem e da mulher do campo.

A secretaria estadual de saúde deve disponibilizar nos PSF’s dos bairros mais violentos, das cidades mais violentas, tratamento médico para dependentes químicos.

A secretaria de cultura poderia desenvolver dois projetos que contribuiria com a segurança: 1º seria o cinema nos bairros, com telões ao lar livre nos bairros que apresentam maior índice de vulnerabilidade. 2º teatro popular com grupos formados por jovens e crianças em situação de ruas, cujas apresentações discutissem com a população a temática, Violência – Cidadania – Direitos Humanos.

A secretaria estadual de esporte em parceria com as prefeituras e universidades deveriam manter praças e parques com estrutura para o desenvolvimento de atividades esportivas , sob a orientação de alunos de Educação Física.

Deveria ser instituído um conselho tutelar estadual, para acompanhar, instigar, fiscalizar e participar das ações da polícia federal e rodoviárias no combate ao tráfico de crianças e adolescentes nas rodovias federais que cortam o Estado.

A secretaria de juventude deveria promover um levantamento que permita um diagnóstico das condições dos jovens, com o objetivo de servir de subsidio para elaboração de soluções que contenham as causas da vulnerabilidade, levando em consideração obviamente a peculiaridade de cada município e a diversidade típica das juventudes.

A distribuição do efetivo dos polícias civis e militares deveria ser reformulado, os salários e assistência aos familiares desses profissionais deveria ser melhorado, o efetivo deveria ser dividido em quatro turmas cada qual trabalharia seis horas por dias. Isso permitira a diminuição do envolvimento desses profissionais com a segurança privada, aumentaria o seu convívio regular com a família e aumentaria a disponibilidade para que os mesmos freqüentassem cursos de aperfeiçoamento e  de nível superior.

O Ministério Público deveria de fato fiscalizar a ação policial e juntamente com os magistrados e a população avaliar a eficiência das ações desenvolvidas pela rede de segurança pública.

 

3.     VIOLÊNCIA, DEMOCRACIA E AÇÃO POLICIAL

                                                  

Nós, policiais, defendemos, um novo

 modelo de Segurança Pública,

 democrática em todos os

 aspectos, participando com a sociedade

 do gerenciamento de soluções dos problemas sociais não

 exorbitando em suas competências e não

 ultrapassando os limites da lei no

 cumprimento de suas atribuições, sempre

respeitando os direitos humanos.” [18]  

 

A democracia para ser vivenciada não necessita apenas de declarações jurídicas e formais, embora as mesmas sejam importantes, para que de fato se concretize é necessário um conjunto de fatores sociais, entre eles a ausência de violência.

No Brasil a democracia constitucionalmente assegurada é invocada popularmente e midiaticamente para reivindicar principalmente dois direitos: “escolha” dos representantes e liberdade de imprensa, direitos justos e fundamentais, não há dúvida, mas é necessários termos o cuidado e analisarmos o fato de ambos serem invocados para atender aos interesses de um pequeno grupo dominador, os dos políticos profissionais envolvidos com a mídia. Afinal, não são esses os únicos direitos que o Estado Democrático deve assegurar (ver preâmbulo da CF/88). Além do mais é necessário compreendermos que o direito a imprensa deve ser utilizado para propiciar o direito a informação e não o exercício da violência que se manifesta através da dominação de ideologias.

A simples “escolha” dos representantes não basta para a consagração da democracia, para que de fato haja escolha livre e desprendida é necessária assegurar a participação constante da população em todo o processo político, desde as candidaturas até durante o mandato. Assim, invocar superficialmente a democracia para assegurar interesses escusos é uma verdadeira ditadura disfarçada.

Há algo de errado na nossa sociedade, porque em vez da democracia a violência é que é invocada para oferecer resposta para os problemas que envolve a segurança publica?

Porque a democracia não é invocada quando há uma ditadura da comida, quando há muita comida e no entanto poucos comem e muitos passam fome?

Porque não invocamos a democracia para que o crescimento econômico proporcione o desenvolvimento sustentável e não beneficie apenas pequenos blocos e grupos econômicos?

Porque a democracia não é invocada quando o acesso a justiça não é assegurado a todos os cidadãos brasileiros?

A verdade é que a nossa jovem democracia é ainda algo surreal, e por essa razão sai de cena para que entre em cena a violência, que nada mais é do que o resultado da ausência de condições para o exercício da cidadania.

Sem trabalho, sem educação, com péssimas condições de habitação ou sem habitação, a democracia não se concretiza.

Para que tal missão se concretize, imprescindível que as instituições responsáveis pela segurança pública compreenda que esta, não se confunde com Segurança Nacional, pois o agente policial preparado para reprimir, o que é típico na ação dos agentes de Segurança Nacional, não estar preparado para investigar, orientar e quando necessário prender sem abusos.[19]

 

4.      A NECESSIDADE DE REEDUCAÇÃO DOS AGENTES ENCARREGADOS PELO CONSTITUINTE DE ASSEGURAR O DIREITO Á SEGURANÇA

 

Primeiro é necessário ressaltar que ao contrário do Constituinte, compreendemos que a polícia não são os únicos responsáveis pela segurança..

Após o fim dos anos de chumbos, onde governo e a polícia estabeleceram a Segurança Nacional como prioridade, o culto a “ordem” e em nome dela a perseguição ao considerados subvertidos arraigou-se na cultura das corporações policiais.

Apesar de dedicar poucos artigos sobre o tema, a CF/88 atribuiu novos papéis para as instituições policiais e embora o cenário político seja outro, a polícia que não foi educada para servir aos interesses de uma sociedade democrática, o que pressupõe pautar suas ações na busca pela proteção dos direitos humanos de todos os cidadãos, inclusive os já condenados mediante um processo justo.

Desse modo, conclui-se que apesar das mudança normativas, a qual  diferencia Segurança Nacional de Segurança Pública e essa distinção é crucial, as corporações que antes perseguiam políticos que questionavam a ditadura, hoje perseguem na mesma linha de atuação, ou seja a da defesa da segurança nacional, os cidadãos hipossuficientes considerados por essas instituições como traficantes ou marginais em potencial. No entanto, se é necessário que a polícia faça uma analise autocrítica e assuma que de fato tem sido protagonista na violência pública que acaba por negar os direitos humanos, é necessário também, que os estudiosos, centros de pesquisas universitários e defensores dos direitos humanos, passem a propiciar espaços de discussão, reflexão e formação, onde os policiais possam passar da posição de antagonistas para a de protagonistas da defesa dos direitos humanos.[20]

Mister se faz, redefinir os papéis[21] das instituições policiais as adequando aos anseios democráticos e humanísticos consolidados na Carta Cidadã que completa 20 anos , no entanto, para que esse processo der nova significação política a relação entre polícia e sociedade, a polícia precisa aprofundar-se da discussão em torno dos Direitos Humanos, indo além das aulas formativas aplicadas em cursos para a polícia, esse processo deve proporcionar a reflexão crítica, para que as polícias deixem de ser interlocutores e passem a ser parte integrante da luta em defesa dos direitos fundamentais.

Com a promulgação da CF/88, setores da sociedade se organizaram em torno da defesa dos Direitos Humanos, mantendo a partir daí firme disposição de conter, disciplinar e controlar o poder policial, denunciando as praticas ilegais e reivindicando que as ações policiais se adequassem aos padrões legais[22] previstos no diploma legal supramencionado, o que exigia que a policia compreendesse que era agora uma instituição do Estado e não uma milícia a serviço de governos[23] .

Passados 20 anos da entrada em vigor da Constituição,  parece que a polícia passou a ser não mais um milícia do governo, mas apenas uma milícia e agora se de um lado setores da sociedade continuam a pressionar o Estado para que estabeleça políticas públicas de segurança que responda a demandas de violência respeitando os direitos humanos, do outro a população pressiona os Secretários de Segurança para que estabeleçam medidas duras que contenham a curto prazo a violência, assim as praticas abusivas continuam a se perpetuar e cada momento a mídia nos dar noticias de mais uma tragédia violenta envolvendo policiais e inocentes confundidos com bandidos.

Esse cenário exige dos setores da sociedade que defende os Direitos Humanos uma nova postura, chamar pra discussão os próprios policiais, Andrea Depieri de Albuquerque Reginato destaca que os cursos em modelo formais oferecidos pelas academias de policia, apenas servem para legitimar o discurso da policia e do governo em Direitos Humanos, o  ideal são os cursos críticos, pois permitem a ampliação dos espaços públicos de reflexão acerca da ação policial e do respeito aos direitos humanos de forma que o policial tome consciência não só do seu papel como garantidor do direito do outro, mas possa se reconhecer como sujeito de direito.

Assim, é necessário admitir que a ação policial muitas vezes abusivas é decorrente da desumanização que passa os policiais durante o processo de “formação”, que segue ainda os moldes e o embrutecimento da época em que a policia assegurava a ordem no sistema político da ditadura militar. Falta aproximação real dos policiais da temática, somente o Rio Grande do Sul passou a discutir a temática no mesmo ano da promulgação da Constituição, a Bahia somente incorporou o tema nos cursos para policiais a partir de 1990, São Paulo em 1991.

Para Andrea Depieri de Albuquerque Reginato:

 

 “A educação em direitos humanos a partir de uma abordagem crítica vale como processo, que age no sentido da consolidação da democracia, garantindo por intervenção de caráter institucional que cria mecanismos internos de reprovação das praticas violadores. Não há expectativa no sentido imediata “conversão” do policial. Aposta-se a médio e longo prazo na difusão de uma nova cultura, que uma vez fomentada, deveria afirma-se à partir da própria instituição.”[1]

CONTINUA NA PRÓXIMA PÁGINA...


0 Comments | Post Comment

CONTINUAÇÃO DO ARTIGO ACIMA - 02:44, 25/9/2008

Não basta que um número razoável de policiais passem a ter suas condutas pautadas na consolidação da democracia e da defesa aos direitos humanos. É necessário que a instituição policial enquanto garantidora do Direito à Segurança, passe a pautar seus programas nessa perspectiva e mais ainda que reprove toda e qualquer conduta contrária a tais preceitos.

Merece reconhecimento a incorporação do discurso dos direitos humanos nas instituições, mas é preciso ir além, e incorporá-los nas condutas coletivas dos agentes responsáveis formalmente pela segurança, nesse contexto a tomada de consciência por parte de todos os cidadãos que a polícia não é a única responsável pelo caos que assola o cenário de insegurança pública do nosso país e de suma importância. Em um Estado democrático, cada cidadão tem a sua quota de responsabilidade nos ônus e bônus sociais, pois, direta ou indiretamente é o cidadão quem condiciona a ação dos agentes estatais, se essa condução é influenciada pela manipulação, é outra discussão.

Estudos mostram que a violação aos direitos humanos de modo geral, não tem despertado indignação na opinião publica[1] . Ora, se o povo perde a capacidade de se indignar com as injustiças, corremos o risco de retrocedermos ao período nefasto onde o Estado em nome do seu poder soberano de fazer uso do monopólio da violência, cometia as maiores atrocidades.

Assim, a sociedade brasileira que é de forma geral conivente com a violência policial, poderia fazer uma reflexão sobre as suas contribuições na contenção da avalanche de violência, para obter proteção, é necessário políticas públicas humanizadoras, onde as Secretarias de Segurança Pública tracem projetos de forma harmônica com as Secretarias de Educação, Saúde,  Juventude, Turismo, Emprego, Mulheres e Agricultura.

Ressalte-se que a condescendência da população à violência policial, impede que o cidadão exerça o controle policial que é imprescindível para a democracia e é parte do processo civilizatório, além de não dar respaldo a ação de policiais que já se preocupam em buscar soluções para a violência que não pautem-se em medidas repressoras.

No processo de desenvolvimento global da sociedade, a segurança tem grande relevância. Segurança a nível local, ou seja, municipal, estadual, nacional e internacional, onde se atue na proteção e preservação dos interesses civis. Cuja atuação dos envolvidos sejam pautada no interesse da proteção e segurança do próprio regime democrático, das liberdade individuais, da participação pessoal e popular, do diálogo entre pessoas, do direito á livre manifestação de idéias, dos direitos humanos, dentre os princípios constitucionais, entre outros, deve estar inserido, de forma simples, clara, objetiva e sintética, a segurança pública, é sem duvida variável importante do desenvolvimento do Estado.[2] 

 

1.     CONCLUSÃO:

 “...o estado de paz é algo a

ser instituído por meio do Direito.

Ou seja, a meta é a paz e o meio a atingi-la

o Direito.”[3]

 

 

Inicialmente para que o Estado de Pernambuco consiga resolver o problema da violência, faz-se necessário que todos os envolvidos no processo compreendam que a redução da violência não se dar por meio de combate entre polícia  e “bandido”, mas do uso da não violência.

A não violência não é a passividade, mas um agir superador da ação violenta. Para Hannah Arendt a ação não violenta conhece a ação violenta e cria alternativa, pois, compreende a sua existência e os seus malefícios, por isso a nega, assim, torna-se uma resposta eficaz contra a violência, preservando a integridade física e a dignidade da pessoa humana.[4]

Somente quando o estado aplicar a teoria da não violência nas suas ações, é que haverá uma aproximação entre os sujeitos sociais e os agentes públicos encarregados pela CF/88 de zelar pela Segurança, havendo assim, de fato democratização do setor e efetivação da democracia.

A ação não-violenta é a única forma de ação que possibilita o encontro dos homens pela palavra. A ausência de violência é necessária, pois, na atividade humana da ação, não se objetiva atingir determinado fim, mas a descoberta de uma meta que sirva como elemento aglutinador.”[5]

Assim, o objetivo dos sujeitos públicos e dos sujeitos privados (cidadãos) devem ser a efetivação dos direitos humanos. Desse modo que as ações de contensão de violência que violem tais direito não pode encontrar respaldo nem da sociedade e nem das instituições públicas. O Estado no uso do poder advindo do contrato social, não pode agir com reprimendas, pois o uso da violência seja qual for o momento significa que o poder encontra-se em extinção[6].

Seguindo essa lógico e com a compreensão clara de que Segurança Pública é uma questão de Estado cujo interesse deve buscar incansavelmente a efetivação dos direitos humanos, para que o Estado cumpra seu papel de garantidor dos direitos humanos, assegurando Segurança à todos os cidadãos que se encontram sob sua jurisdição, é necessário que a política de segurança pública leve em consideração que os pobres também tem interesse nessa área e por isso deve participar de todas as decisões, pois, são muito mais vítimas do sistema, que inimigo da paz, como acredita alguns setores da sociedade.

A insegurança de uns está ligado à inseguranças de outros, de nada adianta, blindar carros, instalar cercas elétricas, ninguém vive em uma bolha, viver em sociedade é algo nato da natureza humana  o isolamento atrofia o desenvolvimento do exercício pleno da cidadania. Esse é o entendimento da maior autoridade em Segurança Pública do país, Luiz Eduardo Soares: “...ou haverá segurança para todos, ou ninguém estará seguro.”[7]

No Estado Democrático de Direito, aos particulares deve ser imposto a obrigação de tratar a todos de forma equitativa e ao Estado é inadmissível o desenvolvimento de políticas públicas seletivas, o tratamento segregacionista por parte das instituições do Estado e a violação aos Direitos Individuais, é uma falha do Estado neoliberal.

As ações polícias e da Justiça tendem a focalizar o que se passa nos estratos superiores da sociedade, o que é um erro. O atual sistema de Justiça Criminal e ações policiais, continuam seguindo a tradição e marginalizando as camadas inferiores, acabando por violar os princípios de equidade, aplicando as leis com filtro social e racista.

Mister se faz levar em consideração que os crimes sejam os praticados pela classe superior da população e até mesmo pela instituições dos Estado, sejam os praticados pelo sujeitos sociais das classes inferiores, são conseqüências, resultado, efeito.

Assim, além das causas de violência apresentadas pela SDS-PE, consideramos que as seguintes impedem a efetivação do direito a Segurança e conseqüentemente a diminuição da violência e da criminalidade e a efetivação dos Direitos Humanos:

A)    INPUNIDADE: ao falar em segurança, surge a idéia  da necessidade de repressão das camadas menos favorecidas, o que é mais um erro herdado pelo sistema seletivo e repressivo da ditadura militar, não há impunidade quanto aos sujeitos sociais que praticam o delitos, esses são na maioria das vezes punidos antes mesmo de serem julgados. A impunidade que proporciona uma alavancada na criminalidade refere-se aos crimes praticados pela camada superior da população, como a sonegação de imposto, a corrupção, o financiamento do tráfico de entorpecentes e de produtos contrabandeados, desvio de verbas públicas etc. Tais crimes além de ficarem impunes, devido a falta de dedicação ao combate, ainda enseja em outros crimes. A sonegação de imposto por exemplo, implica em menor arrecadação do estado, que não poder investir em um sistema educacional atrativo suficiente para manter a criança na escola, essas crianças que ficarão em situação de vulnerabilidade serão outros futuros alvos do tráfico. O desvio de verbas públicas, provoca a morte de crianças, jovens, adultos e idosos nas filas de hospitais públicos, por essa razão merece ser também considerado uma violação ao direito à vida. Para MV BILL “... a corrupção é o mal de todos os males, é o que promove todas as desgraças e faz o problema chegar a cada esquina.”[8]

B)     FALÊNCIA DO SISTEMA EDUCACIONAL: Há verdadeiro retrocesso no atual modelo de educação no Brasil, é inadmissível que na terra berço de estudiosos como Paulo Freire e Florestan Fernandes a educação seja resumida por pais e professores como sala de aula, professor, quadro e livros. Os pais levam as crianças para a escola como se a escola fosse um  depósito, os professores devolvem as crianças aos pais como se elas fossem um estorvo. E apesar da educação ser a principal bandeira levantadas pelos candidatos a cargos eletivos, as condições de ensino não mudou muito mesmo após a aprovação do FUNDEB. O que deve mudar é a pedagogia aplicada, pois no Brasil, salvo raras exceções, a escola aplica um política de ensino excludente, pois prioriza a supervalorização dos melhores, não desenvolvendo atividades capazes de contribuir com os alunos que tem alguma dificuldade. Esse público então, tende a buscar o tráfico como forma de passar a ser ‘percebido’ pelo Estado e pela comunidade.

C)    DESEMPREGO: O livro Cabeça de Porco[9] retrata bem as péssimas condições socioeconômicas quem envolvem as famílias dos jovens envolvidos com o tráfico, assim, os jovens desde cedo (entre 10 e 13 anos) são arrastados para o mundo do trafico  para que através dele possa auferir lucro e dar uma vida “melhor” a sua família, onde a mãe da maioria das vezes foi abandonada pelo pai das crianças, estas, quando não ficam desempregadas, trabalham informalmente, na maioria das vezes não tem nem onde nem com quem deixar os filhos, assim, os mais novos ficam sobre a vigilância dos mais velhos que assumem desde logo uma responsabilidade de adulo, perdendo assim de vivenciar a vida infantil.

O sistema capitalista impõe as famílias condições de trabalho desumanos, sem que seus direitos trabalhistas e sociais sejam respeitados. Sem assistência e orientação as crianças crescem visando ter as mesmas condições de vestimenta, moradia e alimentação difundidos pela cultura midiática e propagado pelo sistema capitalista, ocorre que tal sistema não oferece condições para que todos tenham uma vida digna e de igualdade. O desemprego e as péssimas condições  de vida que afetam as famílias da crianças e jovens envolvidos com o trafico é sem duvida um agravante da criminalidade.

D) AUSÊNCIA DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A JUVENTUDE: Dados mostram que os jovens são quem mais morre no Estado de Pernambuco e no Brasil. Os homicídios dolosos tem ocorrido principalmente em três contextos: 1° trafico de drogas; 2° conflitos em casa e na rua por motivos fúteis e tolos; 3° pistolagem. Desses, o tráfico é o que mais cresce devido a capacidade de recrutar a juventude em situação de vulnerabilidade, por essa razão, para por fim a violência que mata a juventude em situação de vulnerabilidade, prender esses jovens segregá-los da sociedade é um erro. Uma vez que jovens mortos em conflitos ou presos são substituídos por outros jovens vulneráveis. A saída é acabar com as causas de vulnerabilidade, que entre outras causas esta a ociosiodidade, fruto da ausência de uma escola que estimule o jovem a nela permanecer, a escassez de cinemas e teatros. Em uma cidade considerada pólo de cultura como Caruaru por exemplo, não conta com uma sala de cinema, nem pública nem privada, o resultado como vimos é a inclusão do município no rol dos 10 municípios mais perigosos do estado. Há ainda falta de adequação física das praças e parques para prática de esportes. O que há em grande escala são bares, que sem vigilância tornam-se um foco de brigas que resultam em homicídio e prostituição, inclusive infantil. Assim, faz urgente uma parceria entre Secretaria de Segurança e Secretaria de Juventude.

E)  FALTA DE PARTICIPAÇÂO SOCIAL NO PROCESSO DEMOCRÁTICO: A falta de participação da população tem contribuído para que a “Corrupção, tortura, chacinas, execuções sumárias, disputas internas, ineficiência,politização predatória...”[10] Contudo isso e contraditoriamente, um clima de insegurança, chega a comunidade sempre que a polícia adentra no interior das comunidades. A reversão desse cenário é decisivo para a solução da problemática violência, ou a polícia passa a respeitar a comunidade, ou a comunidade não contribuirá com a ação da polícia. Responsabilizar as Policiais de todo processo nefasto vigente em nossa sociedade, de toda a tragédia social fruto de uma má planejamento nessa área é cometer o erro de não considerar todo o processo histórico que essas instituições passaram, é não encarar a Segurança Publica como uma questão de Estado, mas de polícia apenas, é mais uma vez estabelecer a violência como meio único para solucionar os problemas decorrentes da desigualdade social.

Para democratizar o setor, primeiro há que se democratizar as instituições, em algumas instituições há uma hierarquização que impede a maior participação de todos os agentes nos planos de atuação das instituições. É preciso que a polícia compreenda o papel dos líderes comunitários, compreenda que esses são aliados dos moradores da comunidades e não do crime. É necessário o surgimento da figura de um gestor local de segurança publica, que esteja em constante interação com a comunidade, visando sobretudo a prevenção da violência e compreendendo sobretudo a natureza publica de sua função.[11] Deve haver ainda um comitê formado por policiais, juízes, promotores, defensores públicos e sociedade civil, para elaboração de planos de ações, fiscalizar a execução e avaliar os resultados das mesmas. O cidadão precisa fazer parte da dinâmica que envolve os setores da Segurança Pública.

Apontados os principais problemas que impedem a efetivação do Direito à Segurança, após uma analise das soluções apresentadas por Luis Eduardo Soares, ousamos em apontar possíveis medidas a serem capazes de contribuir com a solução do caos de violência instalado no Brasil.

1)     COMBATE AO CRIME DE COLARINHO BRANCO:  Para resolver o problema da segurança pública, não basta reduzir os índices de crimes como o homicídio, são necessários medidas eficazes que ponham fim as suas causas, uma delas a corrupção na esfera pública, uma fez que interfere nos organismos de Segurança Pública. É preciso primeiro combater a corrupção dentro da policia, pois, somente uma polícia comprometida com a probidade administrativa , poderá reprimir os gestores públicos corruptos. Para isso, os chefes de polícia e delegados devem deixar de serem nomeados pelos líderes do poder executivo e devem passar a ter as mesmas prerrogativas dos membros do MP e da Magistratura.  Os Secretários de Segurança, devem ser gestores eleito pelo povo. Isso impediria que as nomeações fossem usadas como troca de favores.

2)     TRANFORMAÇÃO DAS ESCOLAS: Falar em transformação nas escolas quando se discuti Segurança Pública, não significa defender a militarização da educação, mas humanização das instituições educacionais e de segurança, para que ambas em parceria resolvam o problema da insegurança. As escolas precisam torna-se um espaço de diálogo entre a comunidade e os gestores da segurança. As atividades desenvolvidas entre juventude, família e polícia, não pode reproduzir a hierarquização vigente no sistema social, mas durante as atividades todos devem ocupar o mesmo patamar.

3)     MAIS EMPREGOS E MELHORES CONDIÇÕES DE EMPREGO: O Clima de insegurança impede investimento nos locais mais violentos, sem emprego, o tráfico torna-se o maior empreendedor local e o clima de insegurança cresce ainda mais, em um círculo vicioso , que tende a explodir e o resultado é a morte de inocentes e culpados. O Estado deve cumprir seu papel de investidor subsidiário, incentivando a criação de cooperativas que possam desenvolver a potencialidade econômica de cada localidade, melhorando a qualidade de vida dos trabalhadores e trabalhadoras, com a criação de creches onde a família possa deixar suas crianças em segurança durante a jornada de trabalho.

4)     POLÍTICAS PÚBLICAS DE JUVENTUDE QUE COMBATAM AS CAUSAS DE VULNERABILIDADE SOCIAL: É urgente a necessidade de secretaria de juventude e de segurança pública estabelecer um plano de combate as causas de vulnerabilidade social. 1º é preciso descriminalizar os jovens usuários de drogas, bandido é quem vende a droga, o consumo não é crime, assim os usuários precisam de tratamento sanitário e não de prisão. 2° aproximar a polícia da juventude e isso é muito difícil, pois os grupos de jovens típicos da juventude como os da capoeira, do grafit, do hip hop, do movimento estudantil e etc, são tratados pela polícia como gangues. Ou a policia se abre para a juventude, ou a juventude não deixará de ver a polícia como inimigo.

5)     PARTICIPAÇÃO POPULAR NO SETOR DA SEGURANÇA: Deve ser criado em cada polícia e na secretaria de segurança uma ouvidoria, onde seja captada as denúncias, críticas e sugestões do cidadão, verificando as procedências das mesmas , investigando, tomando providências e oferecendo respostas ao cidadão. Divulgando as medidas eficazes adotadas para que possam ser repetidas. Nessa ouvidoria deve haver a participação da sociedade civil. Os planos de Segurança a ser executado pelo estado deve ser resultado das discussões populares, nesse contextos o PACTO PELA VIDA, merece mérito.

6)     SISTEMA ON LINE UNIFICADO: A secretária nacional de segurança deve manter em tempo real um sistema unificado que interligue dados de todas as polícias em todo Estado brasileiro, para isso obviamente cada instituição em cada localidade precisa estar equipada e uniformizada para poder inserir os dados nesse sistema. Isso daria mais celeridade  nos julgamentos e impediria que delinqüentes migrassem de localidade para continuar praticando crimes. 

7)     CURRÍCULO DA POLÍCIA: Deve integrar o currículo de todas as polícias conteúdos sobre direitos humanos, teoria da não-violência, estatuto da criança e do adolescente, combate à homofobia e ao racismo, entre outros. O formato das aulas deve ser o método da crítica reflexiva e não meramente expositiva.

Há sim saída, esperança e soluções, falta apenas vontade política de alguns gestores para deixar o partidarismo de lado e compor a rede de segurança pública necessária para assegurar a paz, a parceria entre governo federal, estadual e municipal é decisiva para resolvermos a problemática, falta também a assunção por parte de cada cidadão da sua responsabilidade no melhoramento das  ações responsáveis por zelar pela segurança.

Assumir essa responsabilidade e permitir a participação da população nos órgãos de segurança pública que compõe a rede é o principal desafio dos que defendem um plano estadual de segurança pública que atenda os anseios democráticos e humanísticos da Constituição Federal de 1988, pois, didaticamente as instituições já procuram adotar políticas públicas de Segurança Pública, porém, nas ruas percebemos que ainda são executadas ações de Segurança Nacional, onde predomina a perseguição às camadas sociais excluídas, mister se faz harmonizar o discurso a ação.



[1]REGINATO. Andrea Depieri de Albuquerque. Educação em direitos humanos e polícia: pensando em novas perspectivas. em Educação, violência e policia Direitos Humanos?org. FILHO. Manoel Mendonça. Ed. UFS. Salvador: 2004.  Pag. 113

[2] AZKOUL. Marco Antonio. A policia e sua função constitucional Ed. Oliveira Mendes, 1998, São Paulo. Pag. 61

[3] BITTAR. Eduardo Carlos Bianca; ALMEIDA, Guilherme Assis de Almeida. Curso de Filosofia do Direito. 2004: Pág. 534

[4] BITTAR. Eduardo Carlos Bianca; ALMEIDA, Guilherme Assis de Almeida. Curso de Filosofia do Direito. 2004: pag. 532

[5] BITTAR. Eduardo Carlos Bianca; ALMEIDA, Guilherme Assis de Almeida. Curso de Filosofia do Direito. 2004: Pag. 377

[6] BITTAR. Eduardo Carlos Bianca; ALMEIDA, Guilherme Assis de Almeida. Curso de Filosofia do Direito. 2004: 378

[7] SOARES. Luiz Eduardo. Segurança tem saída. Sextante. Rio de Janeiro: 2006. pag. 155

[8] BILL. MV. [et al]. Cabeça de Porco. Celso Athayde, MV Bill e Luiz Eduardo Soares. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005. pág. 50

[9] Idem

[10] SOARES. Luiz Eduardo. Segurança tem saída. Sextante. Rio de Janeiro: 2007. pag. 115

[11] SOARES. Luiz Eduardo. Segurança tem saída. Sextante. Rio de Janeiro: 2007 pág. 119


0 Comments | Post Comment

PRAXIS SOCIAL E FRATERNIDADE: UM DIÁLOGO NECESSÁRIO PARA EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS - 11:20, 17/7/2008

Por Elba Ravane Alves Amorim[1]

Artigo publicado na Revista de Pesquisa Discente

da Faculdade de Direito de Caruaru -

Asces no ano de 2007.Essa é o texto sem as correções.

 

1.      Considerações Preliminares

Todos os direitos que lhes estão reconhecidos

pela Constituição não têm uma tradução

concreta no seu quotidiano.”

Paulo Sergio Pinheiro[2]

O presente trabalho tem por finalidade analisar a influência da práxis humana e governamental na concretização dos Direitos Humanos, pois, é preciso compreender que apesar da mídia desestimular ações que possibilite alcançarmos uma sociedade fraterna, esse é um sonho possível. A ditadura midiática estimula tomada de postura cada vez mais egoísticas e individualistas, porém, é necessário continuar buscando incentivar atitudes fraternas, visto que é a partir destas que podemos de fato efetivar os Direitos Humanos.

Fraternidade[3] vem de amor ao próximo, é condição necessária para o respeito mútuo, para tolerância, para o exercício dos Direitos Individuais sem abusos, pressuposto necessário para o exercício da cidadania que torna os Direitos Humanos uma realidade.

É necessário observamos que nenhuma estrutura sustenta-se quando alguns de seus pilares estão fragilizados, motivo pelo qual a concretização dos Direitos Humanos ainda não é uma realidade, visto que as políticas públicas que viabilizam o respeito a esses Direitos, deve ter como sustentáculo (pilares) os valores da LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE[4]